
Os planos de saúde no Ceará perderam 36,3 mil clientes da categoria individual ou familiar em cinco anos, de acordo com dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O número representa uma redução de 9,63% no número de contratos desse grupo no Estado. Nesta segunda-feira (12), o órgão definiu o terceiro reajuste em cinco anos nos preços dessa modalidade.
As categorias coletivo, coletivo empresarial e coletivo por adesão não serão afetadas pelo reajustamento. Coincidentemente, os valores foram reajustados em 9,63%, — mesmo percentual da perda de clientes no Ceará.
A medida permitirá o reajuste de contratos entre 1º de maio de 2023 e 30 de abril de 2024. No Ceará, 341.988 assinantes de planos individuais ou familiares serão atingidos. No Brasil, a mudança afetará quase 8 milhões de clientes.
Para entender a debandada de clientes na última meia década, e a necessidade do reajuste, é preciso levar em conta os últimos três anos, nos quais o País sofreu os impactos da pandemia de Covid-19.
Segundo o economista Ricardo Coimbra, integrante do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), uma parte significativa do reajuste é relacionada à inflação do período pós-Covid. A emergência em saúde gerou mais manutenções de custo em materiais e medicamentos, por exemplo.
“A Covid-19 gerou um certo desequilíbrio de demanda, em um cenário onde as empresas alegam manutenção de custo do período pandêmico. A elevação da inflação como um todo também acaba fazendo com que as pessoas tenham de ter certas tomadas de decisão sobre continuar ou não no serviço de saúde”
Outro ponto a se pesar nessa balança, conforme Coimbra, são os custos com gastos pessoais e essenciais, que muitas vezes acabam tendo de se sobressair aos de saúde, onde as pessoas optam pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e por clínicas populares.
"E quando tem menos usuários, as empresas precisam fazer mais manutenções de serviços. Então, se o número de contribuintes é menor, a repartição do custo fica muito maior. E ainda tem os gastos de moradia, transporte...", comenta o economista.
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